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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

SAWABONA


aliens in the city (LIM 2007)
Upload feito originalmente por jorgempf




Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milénio.
As relações afectivas também estão pa passar por profundas transformações
revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projecto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventa-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não à partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...
Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África quer dizer
"EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM".
Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é
"ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ".
Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta


copiado deste blog:
http://eveoneven.blogspot.com/2006/05/sawabona-shikoba.html

sexta-feira, 27 de julho de 2007

movimento interior


inside the war
Upload feito originalmente por jorgempf

quando acordados, podemos olhar para dentro e podemos olhar para fora.

por vezes algo ou alguém nos chama com tanta força lá fora que é dificil reparar no que se passa cá dentro. outras vezes ficamos tão concentrados no interior que não vemos o que se passa mesmo ao nosso lado. Algumas vezes o que se passa lá fora entra por nós a dentro e outras vezes é o nosso interior que ganha tal força que nos leva a grita-lo cá para fora. isto passa-se com as pessoas cada uma individualmente assim como com os grupos de pessoas que estão perto relativamente a outras que estão mais longe.

por vezes olhamos para os outros e achamos que eles estão a fazer algo errado. pelo menos se fossemos nós no lugar dele faríamos de um modo totalmente diferente, ou no mínimo um bom bocado diferente. e nessas alturas pensamos que devíamos dizê-lo. ou achamos simplesmente que não vale a pena pois a nossa experiência diz-nos que ele não vai querer saber do que nós achamos. o casmurro. em algumas destas situações o outro até se interessa por nos ouvir. ouve-nos com atenção, avalia a ideia dele e a nossa e conclui que estava a fazer bem e que nós é que ainda não vimos o problema todo estando a faltar percebermos alguma coisa. explica-nos e ai ...
bem, umas vezes nós percebemos o que ele nos diz , mas outras vezes quem se recusa a ouvir somos nós.

em qualquer dos casos, seja como eu agora descrevi ou de lá para cá ou com outra permutação de possibilidades acho que o importante nestas questões de quem tem razão é precisamente não nos preocuparmos muito com quem tem precisamente razão.

quero dizer, é importante falarmos uns com os outros, é desse modo que evoluímos mais depressa, mas parece-me que a melhor atitude é simplesmente passar de uma forma modesta e desprendida a nossa ideia sem nos preocupar com estarmos certos ou não, isso cabe ao outro julgar. e devemos evitar o facto de considerar a avaliação do outro como um ataque directo a nós. ele fica a saber o que eu penso, eu fico a saber o que ele pensa e cada um como ser livre pensante tira a sua ideia da coisa com base no que sente sem achar que a sua ideia tenha que colidir com a do outro.

estão ambas certas no seu contexto especifico, ou seja o meu contesto valida a minha e o dele valida a dele. e se vier um terceiro e ficar aparentemente do meu lado ou do dele isso não é um reforço de um dos lados mas apenas a validação num terceiro contesto.

não é por estar a chover em lisboa, em paris e em nova york que isso vai inviabilizar o facto de estar sol no rio de janeiro.

por isso, partilhamos a nossa ideia na certeza que isso enriquece a ideia dos outros mesmo que eles não a validem e ouvimos as ideias dos outros mesmo que elas sejam contrarias às nossas pois mesmo contrárias vão sempre fortalecer a nossa e eventualmente ajudar-nos a muda-la.

e quem é que está certo ou errado? para quem? para a maioria? para as gerações futuras que vão conseguir ver o problema com uma confortável distancia e eventualmente mais alguns dados que nos faltam agora? para os primeiros eles que se lembrem que já várias vezes na história a maioria estava errada e para os segundos acho que a forma como o descrevi já contem o meu argumento.

mas eu não concordo com ele e até acho que ele é um retrogrado que comprou o cérebro ferrugento no ebay e nem reparou que era um leilão que vinha já do milénio passado. muito bem, se penso que sou assim tão mais evoluído do que ele e não sou capaz de o ajudar a subir até ao meu nível tão já perto do céu talvez já tenha percebido que não me vão dar bombons por isso. com alguma possibilidade, ainda vou perceber mais na frente que até era eu que estava errado. por isso o melhor é deixar-me destas tangas de superioridade e olhar o outro como estando ao meu lado no mesmo planeta. quanto mais evoluídos poderemos ser um em relação ao outro? é como dois miúdos de sete sentados no banco de trás do carro dos pais a tentarem ganhar o prémio do mais adulto. que interessa? estão os dois no banco de trás?




(739 palavras 4001 caracteres)